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quinta-feira, 3 de julho de 2008

Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis - até 13 de Julho


A proposta é levar cinema infantil de qualidade para todos.
A 7ª Mostra de Cinema Infantil, além da intensa programação no Centro Integrado de Cultura, espalha cinema, alegria e diversão em toda a Grande Florianópolis. Nas próximas duas semanas, vão acontecer exibições em Palhoça, São José e em inúmeros bairros da capital. São cinco mostras itinerantes que vão levar filmes a mais de sete mil crianças, jovens e adultos.

Os filmes são os personagens principais da mostra.

"A programação da Mostra é diversificada, mas os protagonistas são mesmo os filmes. A cada ano exibimos 80 títulos de filmes e vídeos, aproximadamente. A seleção é feita por uma equipe experiente e antenada nas produções nacionais e estrangeiras. Com isso, proporcionamos às crianças e aos adultos o contato com lançamentos e com filmes clássicos da história do cinema. O foco da Mostra são filmes de qualidade que motivem a reflexão, despertando o senso crítico, e que promovem o prazer e a diversão. As organizadoras da Mostra de Cinema Infantil acreditam que a difusão e os debates podem ajudar a fomentar o mercado de filmes feitos exclusivamente para crianças. No Brasil, o público infantil carece de alternativas e os produtores, por sua vez, são pouco estimulados com incentivos e apoios que possam impulsionar o cinema infantil. As crianças de hoje são bombardeadas por um mundo de imagens. Narrativas audiovisuais dirigidas a elas com sabedoria podem ajudar na construção de um mundo melhor, incentivando a auto-estima e formando futuros adultos sensíveis à arte e à vida."
Para acessar a programação clique: http://www.mostradecinemainfantil.com.br/index.php

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Primeira Parte - Entrevista com Igor Pitta

Entrevista com Igor Pitta diretor da animação O Pescador de Sonhos

1) Como surgiu a idéia de realizar o filme?

Surgiu de um poema que escrevi em 1995 que mais tarde em 1999 fiz adaptação em roteiro para um curta em animação.

2) Você sempre fez animações? Como foi o processo?

Não. Comecei com fotografia publicitária, eu queria ir para a publicidade, procurei me especializar nessa área. Fiz alguns cursos técnicos de fotografia, designer gráfico e desenvolvi alguns trabalhos para o meu portfólio. Em 1997 morava em Lisboa e surgiu por intermédio de um amigo, um curso de 3D que na verdade era de stop motion, intitulado de Curso de Cinema de Animação no Atelier de Técnicas Narrativas da Fundação Calouste Gulbenkian. Fiz a inscrição para a entrevista, era preciso levar um portfólio. No dia da entrevista o responsável pelo curso Jose Miguel Ribeiro, gostou bastante do meu portfólio e me chamou para trabalhar com ele na produção de um curta dele “ A Suspeita”, que começaria nesse ano. O curta de 26´ em stop motion levou 5 anos de produção. Acabei fazendo o curso só no ano seguinte, depois fiz um curso de roteiro para Cinema e TV também na Fundação Calouste Gulbenkian.
Através Zeppelin Filmes a produtora da A Suspeita, fiz alguns trabalhos para publicidade em stop motion. Participei numa serie infantil também do diretor José Miguel Ribeiro “As Coisas La de Casa”.
Enquanto participava desses projetos da Zeppelin Filmes, fui desenvolvendo alguns projetos meus, do qual um é O Pescador de Sonhos, que foi inicialmente projetado para stop motion, mas acabou sendo finalizado em 3D.
Entre 2002 e 2005 fiz vários cursos de 3D em São Paulo a fim de poder concluir o curta O Pescador de Sonhos.

3) Quanto tempo levou até o filme ficar pronto? Como foi a produção? Muita gente na equipe?

O Pescador de Sonhos levou 4 anos de produção.
Ele começou em stop motion, foi construída boa parte dos cenários. O personagem principal foi feito em marionete com esqueleto em aço e com rotulas. A outra parte do cenário seria feita em 3D como também os efeitos especiais.
Mas com co-produção chegou-se a conclusão de que fazê-lo todo em 3D seria mais vantajoso, custaria aproximadamente o mesmo e levaria o mesmo tempo da finalização em stop motion que incluía animação e efeitos especiais em 3D.
Trabalharam em todas as fases aproximadamente 15 pessoas

4) Como surgiram as parcerias do filme?

Numa das viagens que fiz ao Brasil para fazer os cursos de 3D em São Paulo, fiz alguns contatos através de amigo de infância.

5) Você é formado em cinema? Se sim, se formou em qual faculdade? O que acha das faculdades de cinema do Brasil?

A minha formação é técnica. Eu não conheço as faculdades de cinema no Brasil, mas pelos trabalhos bons que tenho visto. Penso que devem ser boas! Acredito que um bom curso é sempre fundamental, mas o interesse é também muito importante.

6) O Pescador de Sonhos é uma animação muito bem realizada. Você pensa em fazer longas em animação?

Obrigado! Sim, tenho dois roteiros em desenvolvimentos para longas.

Segunda Parte - Entrevista com Vera Egito

Vera Egito - Diretora de Espalhadas pelo Ar
Sobre a produção do filme - curta-metragem premiado no Cinesul 2008 - trailer:
http://myspacetv.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=29828475


4) Gostei muito da direção de arte e da fotografia do filme, como você vê essa parceria com o fotógrafo e com o diretor de arte? É fundamental haver sintonia?

A fotografia e a direção de arte tem a ver com a proposta estética definida para aquele filme. Há filmes, tristemente, que não têm proposta estética alguma, e aí a direção de arte e a fotografia viram simples questões técnicas, deixando de exercer o papel de expressão dramática que deveriam.
O Júlio Taubkin, fotógrafo e a Flávia Rebello, diretora de arte, são dois super jovens e super talentosos artistas. Durante o processo, trabalhamos em trio. As escolhas de um departamento influenciavam o outro e vice-versa. O conceito do filme foi inspirado na fase mais dourada do pintor Austríaco Gustav Klimt. Dos quadros dele vieram a paleta de cor do filme e a idéia de uma luminosidade dourada que invadia os ambientes internos.
A partir desse conceito, desenvolvemos o universo visual do filme para que tudo trabalhasse em função da estória que estávamos contando que, para mim, é o mais importante.

5) Qual você acha que é o futuro do curta-metragem brasileiro? Como você vê a produção atual?

As mostras de curtas que tenho visto nos Festivais estão realmente muito boas. Tanto na linha narrativa, quanto nas propostas de experimentação da linguagem audiovisual, os curtas tem sido muito bons. É um formato delicioso. Adoro assistir aos curtas e também tenho gostado muito de fazê-los.
Tem uma nova geração de diretores que me deixa muito animada. São realizadores talentosos, livres de verdades pré-estabelecidas, prontos pra fazer um cinema nacional de cara nova. Enfim, acho que os curtas vão bem. As vezes, bem melhor que os longas.

6) Qual a importância de festivais para a exibição de curtas? E como foi a aceitação de Espalhadas pelo Ar nos festivais? Você conseguiu entrar na maioria em que se inscreveu?

O Festival é o meio de veiculação atual da produção de curta-metragens. Afora a opção da internet, que não é o ideal para todas as produções, os Festivais são de fato onde o curta encontra com o público. E o que tenho visto é que é um encontro maravilhoso. O público dos festivais é um público que está a fim de cinema.
No caso da Espalhadas, que tem uma proposta narrativa, o contato com o público tem sido muito bom. As pessoas se envolvem com a estória, com os personagens, pelo menos é o tenho sentido.
Quanto a aprovação nos festivais, não sei ao certo. A Fernanda Patti, da Ioiô Filmes, é responsável pelo envio do filme aos festivais, então, a verdade é que não sei exatamente em qual nos inscrevemos, em qual não fomos ou fomos aceitos.
Semana passada o filme foi exibido em Valência, na Espanha. Meu irmão, Edu Egito, que é músico e vive em Barcelona, foi até lá conferir a sessão e parece que foi muito legal.
Nesse ponto o Departamento de Cinema da ECA tem sido super importante. A cópia legendada que foi a Valência, por exemplo, foi produzida pelos acordos do CTR-ECA-USP.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Primeira Parte - Entrevista com Vera Egito

Vera Egito - Diretora de Espalhadas pelo Ar
Sobre a produção do filme - curta-metragem premiado no Cinesul 2008 - trailer:


1) O que motivou você a fazer de Espalhadas pelo Ar um filme tão voltado para o universo feminino?

O filme começou com a imagem das meninas fumando de calcinha e sutien nas escadas de emergência de um prédio. Uma amiga havia me dito que fazia isso com treze anos e não pude deixar de pensar que isso era a cena de um filme. Chamei Carolina Ziskind, minha amiga e colega de sala na ECA, para desenvolver uma estória a partir dessa imagem e aí nasceu o Espalhadas pelo Ar.
Sobre o fato de retratar o universo feminino, não sei muito bem o que explicar, porque não vejo isso como algo incomum, digno de esclarecimento. Acho que a maioria das estórias tem como personagens principais figuras masculinas por que a maioria dos autores é homem. E é muito natural escrever sobre o próprio universo. Imagino que a medida que mais mulheres autoras entrem em cena, mais comum será vermos mulheres como protagonistas de estórias. Claro que isso não é uma lei. Um dos meus próximos projetos tem como protagonista um menino de dezoito anos. Talvez ele seja um menino com um universo feminino. Não acredito que possamos fugir de nossa referencias pessoais quando criamos.

2) Como foi a produção do curta? Como foi o processo para conseguir realizar o filme em parceria com a Ioiô filmes e etc?


Todo ano o Departamento de Cinema, Rádio e TV da ECA-USP produz um curta-metragem em 35mm como trabalho de conclusão de curso de um aluno ou de um grupo de alunos. Passamos um semestre analisando os projetos em sala de aula até que, ao final do processo, a comissão de Professores escolhe qual roteiro será realizado. Em 2006, o Espalhadas pelo Ar foi o projeto eleito. A equipe é feita essencialmente por alunos do Audiovisual da ECA, sendo os chefes de equipe pertencentes ao ano em formatura. O projeto foi meu trabalho de conclusão de curso. Foi filmado em janeiro de 2007 e estreou no mesmo ano, em novembro, no Festival de Brasília.
A Ioiô Filmes entrou no projeto algumas semanas antes da filmagem. Eu enviei o roteiro ao Lorenzo Giunta, sócio e Produtor executivo da Ioiô, e ele me respondeu dizendo que tinha interesse em participar da produção. Como naquela altura já tínhamos câmera, negativo, equipamento de luz e locações, tudo fechado a partir de acordos de parceria entre a ECA e empresas colaboradoras, a Ioiô entrou como co-produtora. A participação da Ioiô foi essencial especialmente na finalização e distribuição do filme. Eles acreditaram no trabalho daquela trupe de estudantes e os meus próximos dois filmes serão feitos lá. É uma parceria muito legal.

3) Você acha que as personagens femininas são mais fortes do que as masculinas, e que por isso é mais interessante criar uma protagonista mulher? Você acha, que como mulher ela tem mais a dizer?

Acho que é mais ou menos o que eu disse na primeira questão. Acho o ser humano o assunto mais interessante que existe. Homens e mulheres. O Espalhadas fala de mulheres por que era essa a estória que devia ser contada naquele momento. Acho que como autora eu tenho propriedade para falar no tema mas acho que isso não é uma regra. Penso agora em Almodóvar e Bergman e sinto que no fundo esse sexismo é uma bobagem. Todos temos capacidade de falar sobre experiências humanas independente do gênero a que pertencemos.
Claro que, como mulher, gosto de ver estórias femininas na tela pelo simples prazer da identificação. Mas entre os personagens que mais me marcaram na vida estão, sem dúvida, tanto homens quanto mulheres.